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17 de Janeiro de 2019

Teoria é mais importante que prática?

Sobre a educação jurídica brasileira.

Natália Oliveira, Estudante de Direito
Publicado por Natália Oliveira
ano passado

Olá, você. Li recentemente uma discussão sobre o melhor momento para o estudante de direito estagiar e achei interessante trazer o debate para a comunidade do Jusbrasil.

Estudo numa universidade que dedica boa parte do tempo do aluno em construção de pensamento crítico e social, ultrapassando muitas faculdades no quesito de matérias zetéticas. Porém, depois de algum tempo, a sensação que tive foi de que crítica transformadora é essencial, mas ação transformadora motiva para que você continue a elaborar (e validar!) essas críticas. Depois de ver tanta teoria, falta alguma coisa. Durante a discussão que li, chegaram a apontar que o melhor momento para se arranjar estágio seria a partir do 7º semestre, onde o aluno já tem uma melhor noção da área que deseja atuar.

Concordo plenamente que existem conhecimentos de base que o aluno sentirá dificuldade ao se jogar nas atividades práticas, principalmente se estivermos falando apenas de estágio, mas quando me refiro a ações transformadoras me refiro inclusive a atividades sociais voluntárias, atividades lúdicas para desenvolvimento pessoal e comunitário, enfim. Me refiro tanto as práticas jurídicas quanto as que nos ensinam coisas para a vida que irá circundar a atividade jurídica em si. O 7º semestre então, três casas para a formatura, me parece algo muito longínquo.

Mas, certo, voltemo-nos apenas a prática do estágio. Ainda assim o estágio apenas a partir do 7º me parece um pouco tarde para que o aluno possa ver que ele lidará com pessoas reais, problemas reais e que pode sim fazer alguma coisa com toda aquela teoria. Talvez o 4º ou 5º semestres sejam adequados para isso, ou o 3º semestre, a depender da maturidade do aluno. O que me parece é que algumas faculdades têm o foco na formação de acadêmicos para retroalimentar o meio. Pode ser que eu esteja caindo na falácia do middle ground, mas nem oito nem oitenta: precisamos formar juristas para a vida, que ao mesmo tempo sejam críticos socias, mas também tenham tempo para ver seu próprio poder de atuação antes mesmo de ficar frustrados com tanta teoria. Até porque, convenhamos, na prática também haverá algumas frustrações.

Já vi também o outro lado da moeda: um aluno do 1º semestre estagiando no escritório de advocacia de um parente. Não sei exatamente o que ele fez por lá, e também não posso afirmar que foi ruim. Pode ser que tenha tido uma experiência enriquecedora vendo e auxiliando pequenas coisas do mundo jurídico, mas também pode ser que tenha tirado cópias e feito trabalho de office boy jurídico, ou apenas feito café, como alguns chegam a relatar. Então deixo a pergunta para você:

  • Em que momento estudantes de direito deveriam começar a estagiar?


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7 Comentários

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Talvez começar a trabalhar em um escritório de advocacia uns dois anos antes de iniciar os estudos seja bom. Vai fazendo cafezinho, serviços de office boy, uma varridinha na sala... Vai ouvindo as conversas, sentindo o funcionamento do escritório, as discussões sobre determinados temas, vai se familiarizando com ações, problemas, soluções, termos específicos, linguajar... Quando estiver cursando a faculdade será que não aproveitará muito melhor cada aula? Não vai lembrar de uma experiência que acompanhou sobre um determinado processo, de como se desenvolveu? Sem querer, essa pessoa já estará familiarizada com a profissão, faltando apenas o conhecimento, que absorverá de uma forma muito mais profunda e determinante. Regra geral? Claro que não. Cada pessoa é cada pessoa e cada caso, único. Quantos advogados se formam e nunca exercem a profissão simplesmente porque não se encontraram dentro dela? Existirão os advogados natos, existirão aqueles que se desenvolverão de forma incrível, existirão os idealistas, os oportunistas, os desinteressados e os preguiçosos. Existirão os que terão facilidade de acesso aos melhores escritórios, existirão os que se destacarão por suas habilidades se nunca terem estagiado. Como determinar regras? Tudo sempre fará parte do "cada um". continuar lendo

Sábias palavras, meu nobre. continuar lendo

Creio que tudo dependa do objetivo do aluno. Muita gente, principalmente de baixa renda, busca o estágio não como fonte de aprendizado, mas antes de mais nada como um verdadeiro emprego, por sobrevivência, diferente de uma maioria elitizada que frequenta o curso, e não precisa do estágio como fonte de renda. Nestes casos sim, para quem pode se dedicar no sentido educacional da coisa, o estágio é um meio interessante de aprendizado e que pode impulsionar sua formação, basta ter capacidade e proatividade em aprender, independente do ano/semestre de curso. continuar lendo

Bem pontuado, @lucasdomingues, muitos conciliam a faculdade com emprego/estágio, não na área de atuação, mas por necessidade. continuar lendo

Oi Natália!
Tudo bem?

Entendo que, dependendo de onde ele quer chegar, as experiências de vida, os detalhes, ajudem muito na decisão de estagiar cedo ou a partir do 4º, 5º, 6º, 7º período da graduação.

O que não pode e não deve ocorrer, sob hipótese alguma, é o aluno 'elite' simplesmente não fazer nenhum estágio nos 10 períodos, vir a formar-se, passar no Exame da OAB e só então compreender, na 'tora', que fez uma grande burrada ao desprezar estágios.

Aqui do lado de fora, é valendo, minha filha! É sem misericórdia!!!
Treine, treine, treine muito... Estágio é treino!!!

No meu caso, como sabem, estagiei desde o primeiro período. Já havia trabalhado com Representante de grandes empresas financeiras que outrora laborei como empregada, e aprendi a não 'tremer e nem temer' diante de um punhado de advogados da parte contrária, por mais intimidadores, arrogantes ou prepotentes que fossem ao perceberem que eu era 'novinha' na área.

Vale pontuar que fiz estágios que o dinheiro adquirido sequer permitia que eu tomasse um sorvete de casquinha com 1 bola ao dia... Rsrsrsrs
Superei!
Nem morri!
Eu tinha um alvo, um objetivo! Uma meta! Um foco!

Hoje, os vários estágios que fiz e os conhecimentos diversificados que adquiri, tornaram-me a 'Dra Fátima Burégio' que sou. Rsrsrsrsrsrsrsrs

Lembrando que ainda estou em constante aprimoramento para melhor servir meu cliente.

Tratei sobre o 'Estagiário Elite' aqui mesmo no Jusbrasil faz uns 2 anos e acho que vale a pena o estudante dar uma lida.
Eis o Link
https://ftimaburegio.jusbrasil.com.br/artigos/304096350/o-estagiario-elite-sera-um-futuro-advogado-inexperiente-caia-fora

Bj! continuar lendo

De maneira simples, digo, ESTÁGIO é de suma importância na vida de qualquer bacharel em direito, por isso, oriento se for possível o acadêmico ao iniciar o curso, começar também estagiar, ainda que tenha que levar somente papeis ao foro, pois creio que sou um exemplo disso, comecei a faculdade e juntamente trabalhando em algo que não tinha nada haver com a atividade jurídica, fazendo menção que foi por uma questão de necessidade, já que sou casado, e como varão da casa tenho que honrar com as responsabilidades pessoais, visto que o tempo passou ao chegar ao 9º período, graças a DEUS fui aprovado na OAB, e logo depois me formei e recebi a carteira. Percebi uma enorme dificuldade foi depois, em não fazer nem ideia onde colocaria as petições dos processos, esta fase é comparada a um piloto de avião que conhece muito da teoria, e vai alçar o seu primeiro voou, em que tem em sua aeronave alguns passageiros, porém não possui nenhuma prática para iniciar o percurso, contando somente pela FÉ EM CRISTO. Por isso, fica aqui a orientação, prática é fundamental para todo e qualquer aluno. continuar lendo